Startup - Como é falir?

Dando continuidade para a série de conteúdo sobre empreendedorismo e startup para compartilhar o conhecimento e mostrar que empreender não é moleza mas é divertido, conversei com empreendedores que já tiveram a mais dura experiência que um empreendedor pode ter: falência.

Infelizmente no Brasil o erro ainda é considerado vergonhoso para a maioria das pessoas, principalmente por aqueles que não tem coragem de arriscar. Acho que está começando uma cultura estilo Failcon, de que toda a falha pode ser um aprendizado. E quando possível é melhor aprender com o erro dos outros, certo?
 
Troquei alguns e-mails com o Júlio, que foi meu professor no Design Ulbra e me contou como foi a experiência quando sua agência quebrou. Os destaques são meus.
 
 

Que idade tu tinha quando começou teu negócio? Em que ramo? Tinha sócios?

Eu tinha 24 anos, a mesma idade dos meus sócios que eram mais 4. Montamos uma agência de Web Design em 2001 (início da web no Brasil - que foi em 1999).
 

O que te motivou a empreender na época?

O desejo de empreender em um segmento de mercado que tinha um enorme potencial de crescimento.
 

Quanto tempo durou o empreendimento?

1 ano e 2 meses.
 

Quais foram as coisas mais difíceis que tu passou como consequëncia de empreender?

2 sócios desistiram depois de alguns meses, pois tinham a expectativa de um crescimento muito rápido, com eles fora, tivemos que reorganizar a estrutura da empresa. Na época também não existia uma cultura de Internet, então oferecer serviços de Internet era bem mais complicado que hoje em dia. 
 

Como tua vida pessoal foi afetada pelo fato de empreender e pela falência?

Depois da falência eu fiquei com dívididas, pois tinha que pagar a estrutura da agência (financiamento bancário), etc. Fiquei pagando contas até um ano depois.
 

Como ficou a relação com os sócios depois que a empresa acabou?

A gente continua amigo, pois os motivos não foram falhas específicas de alguém.
 

Quais os principais motivos que tu acredita que resultaram na falência?

O primeiro de todos foi a inexperiência, incapacidade de prever todos os problemas (ou a maior parte deles), Se houvesse maior capital de giro também facilitaria as coisas, pois com a área financeira da empresa mais estável é mais fácil de projetar as ações futuras. A estrutura da empresa poderia ter sido planejada menor para início e ir crescendo (diminuição de custos iniciais). A estratégia de vendas era falha, pois não previu a dificuldade cultural de explicar a Internet para os possíveis clientes. 
 

Depois disso tu abriu alguma outra empresa? Porque?

Sim, e o que é melhor, não fali nesta outra! A experiência de ter passado por dificuldades na primeira me ensinou muitas coisas, então o planejamento e a execução das estratégias e táticas ficaram bem mais fáceis. Mesmo assim acontecem erros, mas são bem menos e com menores consequências. Ou seja, no final das contas, fracassar me ensinou muito.

 

 

A morte prematura de empresas é muito mais comum do que se pensa. Das empresas abertas entre 1996 e 2003 mais da metade não completou 3 anos (Sebrae). Este número reduziu bastante nos últimos anos: 78% dos empreendimentos abertos entre 2003 e 2005 permaneceram no mercado, segundo pesquisa do Sebrae realizada em 2007 (Observatório Social, artigo em PDF).

A inexperiência é um fator que outros empreendedores com quem conversei e passaram por experiências parecidas também citaram, e o falta de conhecimento de gestão (financeira e empresarial) é outro fator recorrente na morte prematura de muitas empresas.

Então já sabe, quer abrir um negócio próprio? Meta a cara nos livros, entenda o que é fluxo de caixa, tenha um plano de negócios bem escrito, saiba ser um worklover e não um workaholic e o principal: mão na massa, faça acontecer!

E se tudo der errado aprenda a tirar o melhor desta experiência e compartilhe este conhecimento!

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