Identidade Visual - Cuidado com a dupla interpretação

No glossário de design tem definição de marca[bb] , neste texto entende-se marca apenas como o aplicação gráfica, a identidade visual. Sem debate de conceitos por aqui... o objetivo *hoje* é outro.

A identidade visual de uma empresa envolve pesquisa, "compactação" de conceitos, identificação com o público alvo e uma penca de idéias e objetivos que, ao final de tudo vão definir a marca como funcional ou não.

Nem sempre o bonito é funcional e o que é pior e eu demorei para aceitar: nem sempre o funcional é bonito (e isso não se aplica só a ID visual não), afinal bonito é muito relativo, certo?

Mas funcional é o que comunica o que o cliente queria comunicar e o que o público alvo queria ouvir, algumas marcas acabam, por pequenos (ou nem tão pequenos) descuidos, comunicando algo totalmente diferente do que o esperado.

E o que é pior: ninguém percebe até a aplicação final, gastos com impressão, fachada, aplicação, e todo o custo de alteração de uma identidade visual...

Porque isso acontece? Como alguém consegue projetar uma marca que, no final, acaba sendo totalmente pornográfica para algumas (quase todas) mentes perturbadas?

Vejam alguns exemplos que peguei no Caligraffiti, o primeiro case é a marca de uma estatal britânica (Office of Government Commerce), que custou aproximadamente 45 mil reais (informações do Calligrafiti, e sem fontes por lá...):

Nessa eu não achei um problema *tão* grande, afinal aconteceu uma alteração na marca para que ela ganhasse um novo sentido, preste atenção:

 

Mas em alguma marcas[bb] , logo de cara você percebe algo.... estranho, veja mais alguns exemplos:

 


Suspeito, huh?
 


Sem comentários... Style? Sei.
 


"Mamãe, eu não quero ir no Dr. Jackson[bb] denovo"
 


Se já existem piadas de dentistas e pacientes, imagina depois dessa...
 

 


Um KY, por favor. (Isso é uma farmácia, ok?)
 

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Você pode pensar que nunca irá projetar uma marca com um outro sentido de interpretação tão descarado assim, mas isso acontece devido a imersão no problema.

Como isso acontece?

É falha do designer, eu concordo, mas tem uma explicação que não é sacanear o cliente por ele ser chato, vamos a ela...

O designer que projetou a marca estava focado em um conceito, pensando somente naquilo. Por exemplo, a bunda segunda marca, oriental. Provavlemente quem projeto estava focado em arquitetura oriental, pôr-do-sol, ninjas, japonesas e sumô e nunca ia imaginar.... o que você pensou.

A semiótica[bb] é a responsável por essas falhas: um signo depende da experiência de quem o interpreta e, pelo menos naquele momento, a experiência se limitava ao conceito-objetivo da marca.

 

Como evitar

Eu vejo a imersão no problema como uma coisa boa, o cérebro procurando uma solução 24 horas por dia. Isso vai te tirar o sono - mesmo dormindo tu estará trabalhando - mas provavelmente vai aumentar o rendimento, de uma hora para outra acontece o "Eureka".

Mas isso só funciona com alguns: para outros imersão é simplesmente travar.

Quando acontece de travar ou quando um conceito sai do papel e está ali, esboçado ou quase pronto faça o seguinte: mostre para algum colega de fora, para amigos, familiares, pesquisa na rua apenas o resultado final (é isso que o público irá ver) da marca.

Se alguém der risada você deve procurar algum símbolo pornográfico na sua marca. Deve existir.

Imagens do Tecnopop ( via @biab!) e Caligraffiti

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