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Análise de acessibilidade na web: avaliação e proposta de melhoria em site

Este é um artigo acadêmico que através de pesquisa, esquematiza um teste de acessibilidade e uma proposta de melhoria para um site. Recomendo para aqueles que estão estudando o assunto e pretendem pegar o crescente mercado que necessita desse tipo de serviço...

Por Guilherme Serrano

Enquanto estava escrevendo este artigo, escrevi este texto que também recomendo aos interessados ao assunto. No outro texto tem diversos links relacionados e é menos técnico que este artigo.

 

Análise de acessibilidade na web: avaliação e proposta de melhoria em site

Guilherme Bortolin Serrano
Design Ulbra Carazinho
contato@guilhermeserrano.com.br

Daniel Quitana Sperb
Msc. Eng. de Produção
Design ULbra Carazinho
dqsperb@gmail.com

O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma análise de usabilidade e acessibilidade em um site específico através de testes propostos por Soares e Queiroz. Como resultado da pesquisa e análise do site em questão, uma proposta de melhoria para o site foi elaborada.

 

1. Introdução

Segundo Soares, acessibilidade na web é garantir que seu trabalho esteja disponível e acessível via web a qualquer hora, local, ambiente, dispositivo de acesso e por qualquer tipo de visitante/usuário. Permitir que seus visitantes possam acessá-las em diferentes sistemas operacionais e, principalmente, que as informações possam ser acessadas por qualquer visitante, independente de sua capacidade motora, visual, auditiva, mental, computacional, cultural ou social. O presente trabalho tem como objetivo a análise de usabilidade e acessibilidade de um site de humor, denominado neste artigo como MQL. O site foi criado em agosto de 2005 e quando foi desenvolvido não havia preocupação com acessibilidade, o que hoje causa prejuízos para o mesmo, já que este é fonte de renda através de patrocínios.
As principais vantages de um projeto de site acessível, segundo Soares, são:

  • Maior visibilidade do seu negócio pelos robôs de busca;
  • Melhoria de performance e economia com custos com banda;
  • Uma página mais simples e fácil de usar;
  • Crescimento da audiência e possibilidade de atingir 100% de seu público alvo. Segundo censo em 2000 do IBGE, 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência;
  • Acesso à informação independente do dispositivo utilizado;
  • Manutenção mais rápida e barata;
  • Proteção contra processos pela falta da acessibilidade;
  • Diferencial competitivo;
  • Melhoria da imagem da empresa e fortalecimento da sua marca.


A primeira etapa proposta é levantamento de dados, análise e testes para verificar onde se concentram os problemas de acessibilidade e usabilidade do site, podendo assim ser realizada a proposta de um plano de ação para melhorias no MQL.

2. Metodologia
O primeiro passo para a realização deste estudo foi a criação de um teste de acessibilidade voltado para sites. A metodologia utilizada para análise de acessibilidade conta com elementos propostos por Queiroz juntamente com elementos da proposta por Soares, tendo como resultado uma lista de ações a serem feitas:

  • Validar a sintaxe do código HTML, XML através da W3C;
  • Validar as folhas de estilo através da W3C;
  • Testar navegação em um navegador só de texto;
  • Testar navegação em diversos navegadores gráficos com:
    • a. o som e os gráficos ativos;
    • b. o som e os gráficos inativos;
    • c. sem gráficos;
    • d. sem som;
    • e. sem mouse;
    • f. sem carregar frames, programas interpretáveis, folhas de estilo ou applets.
  • Utilizar leitor de tela;
  • Utilizar corretores ortográficos e gramaticais. Essa ferramenta facilita o entendimento por parte dos usuários que navegam através do sintetizador de voz, que pode não ser capaz de decifrar uma palavra que contém um erro de ortografia. A eliminação dos problemas gramaticais aumenta o grau de compreensão da página;
  • Teste de usabilidade e navegação com usuários que não estejam participando do projeto.


O teste apresentado tem como objetivo a localização das áreas deficientes do site, permitindo a estruturação de um plano de ação de acordo com as necessidades mais urgentes. O objetivo do plano de ação é depois de sua aplicação ter resultado positivo em todas as etapas do teste.

3. Revisão de Literatura

O presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), Alexandre Baroni, informou para a Agencia Brasil que a estimativa é de 25 milhões de deficientes – 14,5% da população, segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de ainda não existir leis exigindo a acessibilidade em todos os sites, segundo Aguiar, em outubro de 1997, o World Wide Consortium (W3C), organismo responsável por recomendações para a rede mundial, lançou o “Web Acessibility Initiative” (WAI), com objetivo de promover a acessibilidade na internet e nos Estados Unidos leis já estão em prática para a promoção da acessibilidade.

3.1 Aplicação do teste de acessibilidade
O teste sugerido anteriormente foi aplicado para a geração de uma lista de problemas no site, para posterior análise e sugestão de resolução dos problemas apresentados. A tabela a seguir apresenta os resultados do teste realizado no site estudado:

Tabela
Tabela 1

A aplicação doe todos os testes mostrados na Tabela 1 um utilizou os seguintes navegadores gráficos:

  • Internet Explorer 6
  • Internet Explorer 7
  • Mozilla Firefox 2.0.0.4
  • Safari


Para navegação com navegador de texto o software utilizado foi o Lynx. Os dados da navegação com o leitor de tela DOSVOX não foram utilizados para análise. A amostra que participou da pesquisa não tinha deficiências visuais e nunca utilizaram leitores de tela, dificultando o uso deste software. Devido a esta dificuldade de uso, foi optado pela não utilização dos resultados para a análise, deixando a sugestão para um posterior estudo com pessoas deficientes. Todos os teste de navegação foram aplicados com dez usuários que foram instruídos a realizar as seguintes operações no site:

  1. Localizar um texto
  2. Entrar em contato com algum responsável pelo site
  3. Publicar um comentário
  4. Encontrar a página denominada Arquivo


Após tentar realizar as ações da instrução o usuários listava os problemas, dificuldades e impossibilidades que encontrou. O teste foi baseado no conhecimento da amostra selecionada, buscando simular a realidade. Todas as pessoas da amostra utilizam o computador mais de três vezes por semana. A junção de todos os dados coletados na pesquisa deram origem a Tabela 1. Com a coleta desses dados e análise das estatísticas do site doi estruturado o plano de ação apresentado no próximo item.

4. Resultados: Proposta de plano de ação
Com base na Tabela 1 e nas estatísticas de fontes de tráfego no site, o plano de ação foi elaborado não só com o objetivo de tornar o site mais acessível, mas de aumentar, já no primeiro momento, as visitas do site através da melhoria do posicionamento nos mecanismos de pesquisa. Para tais objetivos, o plano é:

  1. Utilização dos padrões web e não utilização de tabelas para a estruturação do layout;
  2. Correção da semântica do código HTML de acordo com a W3C;
  3. Construir a folha de estilos de acordo com a W3C;
  4. Melhor fluência do HTML facilitando a leitura via navegadores de texto e leitores de tela;
  5. Mudança no sistema de publicação de comentários, sem utilização de javascript;
  6. Correção ortográfica para facilitar navegação via leitores de tela


Levando em consideração que os mecanismos de busca são fonte de 28,72% do tráfego do site (Gráfico 1) optou-se por, no momento inicial das alterações o cuidado com a semântica no código HTML e a utilização dos padrões web (tableless) para melhorar o posicionamento do site nos mecanismos automáticos de pesquisa, para cumprir o objetivo proposto pelo plano de ação. Além do melhor posicionamento nos sistemas de pesquisa, a aplicação dos padrões web pode tornar o site até 70% mais leve, reduzindo o consumo de banda e a velocidade de carregamento da página.
As alterações seguintes visam a acessibilidade para usuários que utilizam navegadores de texto, leitores de tela ou navegadores antigos que não permitem a utilização de javascript, como navegadores palm ou celulares.

4. Considerações Finais
O site mostrou sérios problemas de acessibilidade e navegação, tornando muito difícil a navegação sem mouse e impossibilitando o uso de algumas ferramentas sem o javascript ativado. O site permite uma fácil navegação e é totalmente acessível apenas para usuários com navegadores gráficos que permitam a utilização de folha de estilos e aceitem programação javascript. Todos os outros tipos de navegação ofereceram dificuldade nos testes apresentados. O Gráfico 2 mostra que 99% utilizam os navegadores utilizados no teste, porém, o mesmo não apresenta a versão dos navegadores utilizados.


Com base nos estudos existentes, a aplicação da proposta resultante do teste realizado no site trará as seguintes vantagens:

  • Melhor posicionamento em mecanismos de pesquisa, que representam atualmetne 27,2% da fonte de tráfego do site;
  • Redução do consumo de banda do servidor do site;
  • Diminuição no tempo de carregamento das páginas;
  • Redução do espaço em disco consumido no servidor;
  • Estar de acordo com os padrões da W3C;
  • Acesso por diversos dispositivos, celulares, palmtops, navegadores de texto, voz, etc;
  • Facilidade de acesso por pessoas com deficiências que impeçam o uso do mouse, som, ou monitor.


Recomenda-se após a aplicação desta proposta a realização de um novo teste de acessibilidade juntamente com um teste de navegação, permitindo após estar de acordo com os padrões propostos pela W3C o site contemplar o acesso sem nenhuma dificuldade por pessoas com deficiências visuais, através da inclusão de links e ferramentas não estudadas no presente projeto.

Referências Bibliográficas

Soares, Horácio. O que é acessibilidade na web? Disponível em <http://internativa.com.br/artigo_acessibilidade_01.html> Acesso em: 5 jul. 2007.

Queiroz, Marco Antônio. Métodos e Ferramentas de Validação de Acessibilidade web. Disponível em <http://acessodigital.net/art_maq_validacao.html> Acesso em 5 jul. 2007.

Aguiar, Thais. Por um (web)design universal. Disponível em <http://www.rnp.br/noticias/imprensa/2002/not-imp-020903.html> Acesso em 6 jul. 2007.

Landim, Patrícia. ONU destaca necessidade de acesso de deficientes às tecnologias de informação. Disponível em < <http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/12/01/materia.2006-12-01.2342716019/view> Acesso em 6 jul. 2007

Torres, Bruno. Conversão para tableless: HP Brasil. Disponível em <http://brunotorres.net/tag/tableless/page/3> Acesso em 7 jul. 2007.